Memórias dos Cientistas | Maria de Sousa

perceber que há muita coisa que não se sabe e querer contribuir para se saber
Maria de Sousa

Entrevistámos a Maria de Sousa em 25 de fevereiro de 2016, no âmbito de um projeto que tem como propósito registar as memórias, histórias de vida, percursos, de cientistas portugueses que se têm salientado e contribuído para o avanço global da ciência. 

A Maria foi a primeira cientista entrevistada com foco no conjunto específico das Mulheres Cientistas. O seu desaparecimento precoce, a perda que representa e as circunstâncias da sua morte, estimulou-nos a antecipar a publicação desta entrevista.

Maria ESCOLHEU fazer investigação. 

Maria deixou Portugal num tempo sem liberdade, em que a investigação ou os investigadores não tinham lugar e em que dificilmente se compreendia que as mulheres pudessem ser cientistas. 

As palavras, as reflexões, as memórias de Maria de Sousa são inspiradoras e intemporais. Um tributo à ciência e ao seu poder transformador, entre música e poesia.

No dia seguinte, numa conversa mais privada, entre agradecimentos, Maria acrescentaria, a propósito da vontade de procurar perceber a cientista inesperada na jovem mulher portuguesa dos anos 60 do século XX: A mim, essa parte veio-me talvez a surpreender não na altura mas muito mais tarde quando comecei a perceber o que se esperava que fossem as jovens mulheres portuguesas dos anos sessenta do século XX em Portugal. Devo confessar-lhe em privado, que o que me surpreende hoje é que em 50 e poucos anos de vida científica, tendo necessariamente a experiência dos bastidores em que se desenha a competitividade feroz, com mulheres, entre mulheres, com homens, entre homens, entre homens e mulheres, etc (sobretudo nos estados Unidos), mas ao mesmo tempo, e no mesmo país, a riqueza da filantropia que deriva do tal crescer em Ciência Aberta, de uma ligação e reconhecimento da Universidade Alma Mater, de algum modo de se sentir que a Universidade merece retribuição pelo que lá se aprendeu. 

O que me surpreende Maria Fernanda, é que tendo passado por todas as estações, tenha chegado ao Inverno, intocada, a minha convicção de que a investigação científica é uma atividade humana nobre e que a formação (muito mais do que a informação) científica deve ser uma parte integrante da cultura.

Por tudo isso, agradecendo os privilégios da ciência que nos concedeu e dessa história contada,
Partilhamos as suas Memórias, 
Prestamos esta homenagem a Maria de Sousa. 

Maria Fernanda Rollo
Memória para Todos
16 de abril de 2020

0:00 – Escolha da carreira

0:28 – Curiosidade e vontade de conhecimento

1:25 – Republicanismo (Avô)

2:25 – Educação feminina

2:58 – Importância do avô

3:40 – Experiência escolar

6:26 – Liceu Rainha D. Leonor

6:28 – Escolha da vertente de Ciências e Música

6:47 – Conservatório Nacional de Música (Curso Superior de Piano)

7:17 – Medicina

7:29 – Literatura

8:58 – Medicina

10:51 – Política e repressão política

11:34 – Professores e ensino de Medicina em Ditadura

12:52 – Professores

13:58 – Iniciação em investigação científica

14:06 – Curiosidade e motivação científica

14:40 – Instituto Gulbenkian de Ciência

16:11 – Investigação sobre oncologia

18:02 – Investigação experiencial

19:15 – Experiência clínica

20:46 – Diferenças socioeconómicas no acesso ao tratamento

23:13 – Posição política e emancipação

24:27 – Afirmação na investigação: área de Imunologia

25:52 – Investigação em Inglaterra

28:16 – Trabalho de laboratório

29:02 – Descoberta em microscopia

31:09 – Academia inglesa

33:11 – Investigação e Academia – Instituto Gulbenkian de Ciência

36:21 – Investigação em Glasgow

38:55 – Investigação nos E.U.A. e Academia

43:45 – Interdisciplinaridade e intergeracionalidade na Investigação

45:05 – Cultura musical

47:22 – Ensino nos E.U.A.

47:44 – 25 de Abril de 1974

48:29 – Mudança de área de investigação – Imunologia

51:19 – Qualidades do investigador

53:48 – Academia portuguesa

55:15 – Programa Erasmus

55:36 – Academia portuguesa

56:37 – Insatisfação e exigência

57:26 – Regresso a Portugal – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

59:38 – Ligação aos E.U.A.

1:00:17 – Mudanças em Portugal

1:00:56 – Mudança de área de investigação – Hemocromatose Hereditária

1:04:57 – Fundação Champalimaud

1:05:59 – Ciência em Portugal – Evolução e perspetivas

1:09:41 – Cultura portuguesa

1:10:34 – Importância da Ciência e da Democracia para a evolução

1:13:35 – Migrações e refugiados e diferenças socioeconómicas

1:14:51 – Disparidade de género

1:15:38 – Aplicação da riqueza na responsabilidade social

1:17:08 – Poesia, Música e Ciência