Anabela de Oliveira Marques

Anabela de Oliveira Marques é natural de São João da Madeira. A sua mãe era gaspeadeira em casa, para a Evereste Calçado, e Anabela e a irmã ajudavam-na nas tarefas mais fáceis. O pai trabalhava em eletricidade e canalização.
Começou a trabalhar aos 16 anos, na fábrica de calçado Pinto de Oliveira, empresa reconhecida como uma das que oferecia maior qualidade de produtos e melhores condições aos trabalhadores.
Trabalhou 10 anos na produção, principalmente na secção do acabamento, mas também em todas as outras secções, onde a sua ajuda fosse necessária. Afirma que era frequente os homens serem melhor remunerados do que as mulheres, situação que se tem atenuado.
A fábrica passou por várias dificuldades financeiras, sendo muitos trabalhadores, entre os quais Anabela, despedidos. Passados cerca de 2 anos voltou a trabalhar na empresa, tendo começado a trabalhar na parte administrativa da empresa, agora reestruturada. Mais tarde começou um negócio familiar e trabalhou para outras empresas, também do sector do calçado.
Descreve a parte administrativa da indústria do calçado como muito complexa, revelando algumas saudades do trabalho na produção. No entanto, destaca que o horário de trabalho fixo e regulado é essencial para a sua vida pessoal.
Destaca as viagens que tem feito, principalmente a Paris, onde acompanha as amostras a grandes casas de moda internacionais.
Considera que as condições de trabalho dos operários têm melhorado ao longo dos anos, condição que vê como essencial para uma melhor produtividade.

0:00 – Informação biográfica
0:13 – Início da vida laboral
0:33 – Pinto de Oliveira
1:01 – Trabalho em casa
1:20 – Pais
1:43 – Trabalho de gaspeadeira (mãe)
3:19 – Pai
3:50 – Trabalho doméstico (gaspeado)
5:18 – Pinto de Oliveira
6:11 – Remuneração e férias em família
7:00 – Experiência no sector do calçado
9:26 – Horas extraordinárias e horário de trabalho
10:54 – Entrada na produção de calçado
11:53 – Polivalência
13:03 – Distribuição dos trabalhadores por sexo
14:39 – Controlo de qualidade – Pinto de Oliveira
15:41 – Costura e gaspeado
16:11 – Categorias profissionais
17:22 – Remuneração
18:44 – Máquinas e modernização da fábrica
20:03 – Crise financeira e despedimentos
20:48 – Retorno à empresa Pinto de Oliveira e restruturação interna
23:19 – Alterações na produção
24:17 – Mudança de sector e negócio familiar
25:13 – Trabalho administrativo
28:37 – Matéria-prima e fornecedores
29:21 – Mercado interno e externo
29:48 – Importância da indústria do calçado
30:33 – Relação com os colegas e trabalho de equipa
32:33 – Qualidade do calçado nacional
33:19 – Retrospetiva
33:50 – Viagens e marcas internacionais de luxo
35:51 – Museu do Calçado