Manuel Lopes Martins – a direção do Sindicato de Oficiais da Polícia e da Associação Nacional dos Aposentados da Polícia

Manuel Lopes Martins nasceu em Ortiga, concelho de Mação, distrito de Santarém. Ingressou na PSP em 1977. Fez o curso de agentes na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, e foi incorporado no Corpo de Intervenção. Fez o curso de subchefe e de chefe e comandou a esquadra do Entroncamento e o comando dos Açores. Foi presidente da Associação Sócio-Profissional dos Oficiais da Polícia e é presidente da Associação Nacional dos Aposentados da Polícia.

“Ingressei na PSP em 1977. Naturalmente que não me passava pela cabeça ser polícia, mas as dificuldades da altura foram agravando-se com o regresso das pessoas que, entretanto, vieram de África. Os chamados retornados. E os empregos começaram a escassear, como é óbvio. Eu na altura tive a felicidade de ter já feito, antes do 25 de abril, o antigo quinto ano, que era quase um bacharelato, para não dizer uma licenciatura, e quando entrei na polícia, entrei justamente sem ser sujeito sequer a provas, porque desde que tivesse mais do que o quinto ano não havia provas a fazer. Só fiz provas médicas, justamente neste edifício ali ao lado. Estive em Torres Novas, onde fiz o curso de agente”.

“Fui diretamente para o Corpo de Intervenção. Não passei por outro processo. No Corpo de Intervenção da PSP acabei por estar quase onze anos, mas, ali, exerci diversas funções. Assim que atingi o tempo suficiente para poder concorrer ao posto de Imediato, naturalmente que fiz o curso e fui subchefe. Fui um dos subchefes mais novos da polícia portuguesa da altura”.

“O que é facto é que depois de ser subchefe fiz o percurso dentro da Intervenção ainda, até que decidi, havia já a Escola Superior de Polícia, de entrar para o curso seguinte, o curso de chefes de esquadra. Fui promovido a chefe de esquadra. No ano imediatamente a seguir, criou-se o posto de subcomissário. Fui promovido a subcomissário e fui comandar a esquadra do Entroncamento”.

“Estive nos  Açores de 1997 a 2000. E nos Açores, quando cheguei era segundo Comandante e passei a Comandante em exercício passado dois, três meses. Assumi o Comando e curiosamente os Açores tinha a particularidade, tinha e tem, especialmente o caso da Terceira, tem muitos serrados com as vacas por ali, em que as pessoas levam uma pickup por ai para irem ordenhar as vacas de manhã e à tarde. Havia riscos, havia tudo e eu quis moralizar um bocado esse aspeto. Intensificamos as operações STOP e desenvolvemos ali várias situações que naturalmente eram a parte odiosa da polícia”.

“Fui presidente da Associação Sócio-profissional dos Oficiais da Polícia e, de facto, tive na altura uma certa projeção porque era uma Associação Sócio-profissional, mas que depois passou a Sindicato. E como passou a Sindicato era mais relevante a função.  E como presidente do Sindicato sabia quais eram as minhas funções e tinha de defender os interesses dos nossos sócios, claro, e dos oficiais da polícia. E, então, um dia, para a televisão dei uma entrevista onde chamei politiqueiros e aventureiros a alguns senhores que passavam pela tutela e que nem sequer percebiam nada de polícia nem de segurança, porque toda a gente fala de segurança, mas, quando se fala de segurança  a taxa de asneira por metro cúbico é elevadíssima. São tipo treinadores de bancada. E isso deu-me grande projeção e assim que eu saí passei para a situação de aposentação”.

“O pessoal da ANAP já me conhecia. Portanto, pelo menos uns quantos abordaram-me no sentido de eu avançar para presidir à Direção Nacional da ANAP. Eu disse que não. Queria um tempo de nojo para descansar. Mas, a insistência foi de tal ordem que acabaram por me convencer ao fim de um ano e tal, e ao fim de dois anos eu avancei. Vou fazer dois anos à frente da Presidência. Vim encontrar a ANAP extremamente envelhecida, E, então, assim que eu entrei para a ANAP, uma das prioridades foi justamente avançarmos com a renovação dos novos associados em termos de idades. Isto é, utilizar uma frase que eu muito utilizo, irmos buscar esta nova idade de aposentados para constituir uma novidade. O que é que é esta novidade?  Tem de ser o novo paradigma da ANAP”.

Uma das valências da ANAP é o apoio aos polícias idosos: “O Programa de Apoio ao Polícia Idoso neste momento está a ser efetivamente um êxito. Temos uma equipa de retaguarda, depois, que trata os dados, depois de fazermos as entrevistas aos idosos e de ver as principais deficiências que têm, ou vulnerabilidades, melhor dizendo, ou até as possibilidade que têm de ajudar os outros também. Esses dados são tratados por outra equipa que nós temos em termos de informática, que tratam os dados em SPSS, que tem informação cruzada, tudo, e vamos vendo o que é que necessitam. E depois começamos a dar o apoio. Se for necessário instituições nós servimos de indutores junto das instituições. Se necessitarem de outro tipo de apoio, o próprio pessoal do ativo á vai visitar esses elementos também. Vão visitar esses elementos para eles não estarem sozinhos. E nós próprios, com os nosso próprios voluntários, vamos fazendo segundas e terceiras visitas. Implementamos o PAPI que está a ser a menina dos nossos olhos. Mudamos o paradigma da ANAP, isto é, começamos a pôr solidariedade à frente de tudo e o companheirismo e a amizade depois de mãos dadas e por ali assim”.

 

 

Luís Santana Correia, filho de um comissário principal internado em Castelo de Vide em 2016, ofereceu a Manuel Lopes Martins um cinzeiro que terá pertencido às Companhias Móveis da PSP.

Os elementos das Companhias Móveis estavam sediados em Oeiras e eram nomeados sobretudo para o Ultramar. Estas unidades vão dar origem, mais tarde, em 1976, ao corpo de intervenção da PSP.

O escudo gravado no centro do cinzeiro está associado às Companhias Móveis, possivelmente do Ultramar. O escudo contém três símbolos e, em baixo, há uma divisa onde se lê: “É POR BEM”. No bordo está gravado: “COMPANHIA MÓVEL”

Manuel Lopes Martins deixou o cinzeiro em depósito no Museu da Polícia.

 

Registo: Martim Arinto.

Entrevista realizada por: Graça Barradas.

Entrevistado/a: Manuel Lopes Martins.

Data da entrevista: 9 de julho de 2016.

Fotografia: Yvette dos Santos

Texto: Ana Sofia Ferreira e Rita Guerra.

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