Domingos Cruz Antunes Pires – de patrulheiro a comissário

Domingos Cruz Antunes Pires entrou para a PSP em 1976, depois de fazer a tropa na Guiné, porque não conseguia encontrar trabalho. Começou a sua vida profissional como patrulheiro, em Algés e Miraflores. Em 1982, concorreu ao curso de subchefe; em 1987 fez o curso de chefe e conseguiu chegar a Comissário, tendo exercido esta função no Porto, na Covilhã e nos Serviços Sociais, em Lisboa. Aposentou-se em 2007.

“Vim da guiné com vinte anos. Andei à procura de trabalho e não encontrei e foi o meu irmão que trouxe os papéis” para concorrer à PSP. Esteve um ano à espera de ter a idade legal para poder concorrer e  foi alistado em Santarém: “Portanto, isto em março, acabamos o alistamento em junho ou julho e, depois, vim aqui para a esquadra dos Terramotos. Eu queria ir para a quarta divisão. A minha irmã morava em Paço de Arcos e eu também podia ir para Oeiras, mas em Oeiras não havia vagas. E, então, puseram-me na 4ª Divisão e só depois de estar na 4ª Divisão é que fui para Oeiras, para o posto de Algés. Depois de Algés, fui para Miraflores. Em Miraflores estive lá uns tempos, estive lá uns anos. Bom, isto foi em 76, em 77 fui para Miraflores, e em 81 concorri a subchefe”.

“O curso de subchefes, portanto, ali se preparava os alunos que quisessem ser subchefes e era constituído por várias matérias, várias disciplinas: tinha a parte profissional, de serviço policial urbano, armamento, tiro, trânsito, de transporte e automóveis, tinha também código da estrada; e, depois, tinha a parte cultural, de português, história, ciências naturais, portanto, era a parte literária e a parte cultural; depois, tínhamos mais três ou quatro disciplinas, matemática, geografia … portanto, essas matérias todas. Aquilo, no fim dava mil e tal horas. Aliás, era um curso intensivo de nove meses. Saíamos dali e éramos lançados aos lobos”.

“Em 1987 fui para o curso de chefes, e quando saí do curso de chefes, em 1989, fui passear até Leiria. Estive lá em Leiria, dei uma Escola de Alistados. Já tinha dado uma Escola de Alistados como subchefe, em 1985/86. Depois, dei umas aulas, como chefe e como sub-comissário, ali em Torres Novas, e, depois, passados uns anos concorri a comissário. Consegui! Aliás, concorri a Comissário e fui colocado no Porto. Lá estive um ano, aliás, seis meses, porque, depois, os outros seis meses passei-os na Escola. Depois, fui até Castelo Branco, fui colocado na secção da Covilhã. Na Covilhã, estive lá cinco anos e, depois, regressei a Lisboa para os Serviços Sociais, onde acabei os meus dias. Acabei aqui os meus dias e, depois, passei à pré-aposentação em 2007”.

“Gostei de ser oficial, porque ganha-se outra experiência. É evidente que se tem mais responsabilidade, mas ganha-se outra experiência. Como oficial contactei com outro tipo de público e, pronto, e dirigi o pessoal, resolvi os seus problemas, tentei ajudar o pessoal, porque aquele que manda não é aquele que pune mas é aquele que compreende e que ajuda a resolver. Muitas vezes, não interessa estar a punir e a atrapalhar. Muitas vezes, também não há compreensão de quem está acima. O que manda não é quem pune mas é quem ajuda a resolver”.

“Como é que vejo a imagem da PSP? Enfim, não quero, portanto, não quero fazer críticas, mas, acho que, quando se acaba com um tipo de policiamento que é a polícia do bairro, onde todos nos conhecemos, onde  a população vê a polícia como um amigo, como uma pessoa que ajuda a resolver os seus problemas; e, depois, quando o polícia deixa de andar a patrulhar e passa a andar numa viatura, e que, portanto, aparece às horas mais inusitadas, eu acho que não é igual, perde-se o bom. Eu sou desse tempo, em que a pessoa era escalada para o giro e a preocupação do bom agente, do bom elemento, era dar a volta ao giro e ver se estava tudo bem, se não havia casas assaltadas, se não havia estabelecimentos danificados, se não tinham sido assaltados, e, depois, apresentar o serviço”.

 

Registo: Martim Arinto.

Entrevista realizada por: Ana Sofia Ferreira.

Entrevistado/a: Domingos Cruz Antunes Pires.

Câmara: Luísa Seixas.

Data da Entrevista: 9 de julho de 2016.

Texto: Ana Sofia Ferreira.

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