Agrupamento de Escolas Marquesa de Alorna

“Fica situada ao fim da Ressano Garcia, para onde abre a porta principal, havendo uma entrada lateral que confina com a Rua Fialho de Almeida e que dá acesso ao Refeitório” (Relatório de Atividades do primeiro ano de funcionamento 1958-1959)

A Escola Marquesa de Alorna situada no Bairro Azul, em Lisboa é um edifício com grande qualidade arquitetónica que mereceu, por parte dos projetistas e artistas que nela trabalharam, o maior esmero.

Em 1955 foi aprovado o anteprojeto de construção da Escola Técnica Elementar Marquesa de Alorna, do arquiteto José Sobral Blanco (1905 – 1990), com início da construção no ano seguinte. O terreno da atual Escola Marquesa de Alorna, com uma área de 10.240 m2, foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa.

 

No âmbito do “Plano de 38”, ou Plano de novas Construções, Ampliações e Melhoramentos de Edifícios Liceais emblemático do Estado Novo, foram construídos este e 9 outros liceus em Portugal – entre eles
Setúbal (1945), Carolina Michaelis, no Porto (1951), em Oeiras (1953) e em Portimão (1965) – pela máxima de ‘ressurgimento material e espiritual da nação’. Sobral Branco integrara já equipas

Daí decorre o Plano das Construções para o Ensino Técnico, a partir de 1947. O arquiteto assina, nesta altura, os projetos de diversas escolas comerciais e industriais: Setúbal (1951), Portalegre (1953), Marquesa de Alorna, em Lisboa (1955), Torres Novas (1956) e Oliveira de Azeméis (1959). Embora haja tendência para a simplificação e uniformização tipológica nestes projetos, é aqui que são experimentados novos processos construtivos,

Em 1958 estava concluída a construção da Escola Marquesa de Alorna. O custo total das instalações foi de 8.164.000$00, sendo a estimativa dos custos de 8.000.000$00.

Abriu as suas portas no dia 8 de outubro de 1958 como Escola Técnica Elementar Feminina. Composta de dois corpos (formando frentes para dois arruamentos do Bairro Azul), um grande pátio e uma mata, a Escola foi cuidadosamente projetada para receber 1.000 alunas, tendo sido dada particular atenção à generosidade dos espaços, dignidade e durabilidade dos materiais, e às questões da luz e boa exposição solar. Nesse ano, por não ter esgotado toda a sua capacidade (só recebeu alunas do 1º ano) acolheu uma secção do Liceu D. Filipa de Lencastre.

“ O edifício da escola, embora situado numa zona que pode considerar-se central, o que se verifica pelo número actual de matrículas (1018), está por enquanto isolado e longe dos meios de transporte. Além disso, um dos locais obrigatórios de passagem para a escola é cruzamento de várias ruas (Avenida António Augusto de Aguiar, Avenida Duque de Ávila, Avenida Ressano Garcia e Avenida Marquês da Fronteira) onde se verifica diariamente um movimento intenso de veículos (elétricos, autocarros, camionetas, etc.) o que torna sobremaneira perigosa a travessia do local para crianças de 10 e 14 anos que são as que frequentam a nossa escola. Acresce ainda que muitas vezes há falta de policiamento “ (Relatório de Atividades do primeiro ano de funcionamento 1958-1959)

Pelo Decreto-Lei nº 48 572 de 9 de Setembro de 1968, é promulgada a criação do Ciclo Preparatório do Ensino Secundário veio transformar as escolas Técnicas Elementares em Escolas de Ciclo Preparatório e a Escola Marquesa de Alorna passou a designar-se Escola Preparatória Marquesa de Alorna, nome que ainda ostenta nas suas paredes exteriores. Continuou a ser uma escola feminina até 1970 quando recebeu os primeiros alunos e também os primeiros professores homens.

Em 1975, registou-se um grande aumento da população escolar tendo sido necessário adaptar espaços da escola a salas de aula e construir pavilhões em terrenos próximos. Estes pavilhões foram utilizados até 79/80.

Em 1989 criam-se duas turmas do 3º ciclo e inicia-se a experimentação de novos programas curriculares.

Em 1993, a escola passa a designar-se Escola EB 2,3 Marquesa de Alorna.

Em 2004-2005, a escola torna-se sede do Agrupamento de Escolas Marquesa de Alorna que inclui escolas do 1º ciclo e jardins de Infância das freguesias de Campolide e Avenidas Novas.

Em 2007, em vésperas do seu 50º aniversário, já com muito menos alunos e amputada de parte da sua mata, para construção de um parque de estacionamento privado, a escola apresentava sinais evidentes de degradação dos espaços.

De entre o vasto Património que a Escola conserva, destaca-se o mobiliário, muito do qual ainda se encontra em perfeito estado e em uso, num design muito cuidado, adaptado ao fim a que se destinavam, como é o caso dos inúmeros modelos de cadeiras, vitrines, estantes, mesas e armários.

O seu autor é o escultor Jorge Neto Tavela de Sousa (act. 1958 – 1969), a quem igualmente coube grande parte do mobiliário fixo dos edifícios por ele projetados. As peças foram fabricadas no Norte de Portugal: Fábrica da Granja (Belmiro de Carvalho – Praia da Granja); Pinto da Costa (Raimonda); António Pereira da Costa (Freamunde), entre outros.

Existe também um busto da Marquesa de Alorna, datado de 1957, da autoria do escultor Raul Xavier (1894 – 1964) que, para além desta peça escultórica, compôs também a estátua de São Vicente (exibida na Exposição do Mundo Português, em 1940), a escultura de Santo António (Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Lisboa), as alegorias à Ciência e à Arte (Pavilhão dos Desportos, Parque Eduardo VII, Lisboa), entre outras.

Durante o ano letivo de 2008-2009, a escola sofreu importantes obras de requalificação levadas a cabo pela Parque Escolar.

<< A par da melhoria das condições de uso, de gestão e de manutenção, procedeu-se à reorganização global do espaço da escola e à sua ampliação através da construção de um corpo de cinco pisos no prolongamento do topo nascente para localização de áreas de estudo informal, espaços laboratoriais, estúdios e salas TIC e da duplicação do corpo de ligação entre os edifícios existentes por um edifício em ponte onde se localiza a biblioteca acima de uma zona vazada para estada e convivência. Os espaços desportivos foram reabilitados tendo sido construídos novos balneários e um campo de jogos. Os espaços exteriores foram redesenhados, permitindo aumentar a área permeável e a arborização e regrar o estacionamento. >>

A Comissão de Moradores do Bairro Azul diligenciou junto do Ministério da Educação, no sentido de se devolver à escola a dignidade que merecia defendendo para a escola um projeto global que contemplasse as necessidades de professores, alunos e funcionários.

Documento elaborado no âmbito do trabalho que a Comissão de Moradores do Bairro Azul desenvolveu com a Escola Marquesa de Alorna, Associação de Pais EMA e PSP/ /Escola Segura em 2007. Revisão e edição de Joana Almeida Flor. Fotografias da cortesia do Arquivo Agrupamento de Escolas Marquesa Alorna de Lisboa e Arquivo Municipal de Lisboa.

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